segunda-feira, 10 de maio de 2010

E assim nasceu o Gordinho Tenso


É incrível como alguns poucos segundos podem fazer toda a diferença na vida de uma pessoa, não? Comigo foi assim. Ainda me lembro daquela tarde ensolarada num domingo de primavera no Rio. Como acontece em praticamente todos os finais de semana da minha vida desde os 11 anos de idade, rumei pro estádio, onde pretendia apenas assistir e vibrar com meu time do coração, que naquela altura abandonara de vez a zona inferior da tabela e já começava a olhar com raiva e cobiça os adversários que estavam na parte mais alta dela. Vencer aquela partida era fundamental pras nossas pretensões. Como de costume, vesti a armadura oficial, peguei uma gelada no congelador e parti, certo de que seria "apenas" mais um domingo vitorioso, como tantos outros que havia tido até ali. Mas uma pequena surpresa estava guardada pra mim naquele dia.

Chegando ao estádio, nada de diferente do usual aconteceu. A mesma correria da PM, que sai descendo o cacete em quem vê pela frente, não querendo saber se todos ali são mesmo arruaceiros ou não, o mesmo perrengue nos transportes públicos do Rio de Janeiro, a mesma falta de respeito com o torcedor por parte dos organizadores dos jogos, o mesmo derrame de ingressos falsos e o mesmo empurra-empurra grotesco na hora de atravessar as roletas, geralmente em número muito menor do que o necessário em jogos desse porte. Enfim, tudo transcorria dentro da mais completa normalidade. Já dentro do estádio, a mesma coisa. Lá fui eu caçar um lugarzinho onde pudesse assistir à partida da única forma que me parece ser possível ver um jogo de futebol: em pé. Pra isso, entretanto, busco sempre um ponto em que não atrapalhe absolutamente ninguém, visto que normalmente vou de arquibancada, como demanda a cartilha do torcedor verdadeiro. Apesar de já estar próximo do início da partida, nem foi complicado achar um bom lugar. Pouco depois de instalado, tem início a batalha.

As coisas até que iam bem, com meu time dominando o adversário e vencendo por 1 a 0. Não faltavam mais do que 10 minutos pro fim da partida, quando o filho da puta do árbitro inventou um pênalti a favor dos caras. Fiquei absolutamente possesso e dei vazão a toda minha ira, chegando inclusive a dar um tapa no parapeito que me separava do gramado, o que me rendeu um corte num dos dedos e um inchaço na mão, que durou quase todo o resto da semana. Ainda bem que sou canhoto, pois a porrada foi dada com a mão direita. Os palavrões saíam aos montões e foi preciso muito equilíbrio pra não invadir o campo naquela hora. Mas não tinha jeito. O pênalti estava dado e nada mudaria aquele fato. As esperanças estavam agora todas nas mãos do nosso goleirão. E foi justo nesse instante que veio de dentro de mim um berro incontido e estrondoso, que fez-se ouvir em todo o estádio. Era um berro de incentivo ao nosso arqueiro; o guardião da nossa baliza e das nossas cores, o único homem dentre todos os presentes que poderia nos salvar daquele fim trágico. E ele não nos decepcionou. Com um vôo certeiro e bem rente ao solo, espalmou pra fora a bola bem chutada pelo batedor. Era a certeza da vitória e de que estávamos mais do que nunca na briga por aquele título. Não pude mais me conter. Em vez de tapas no parapeito, socos no tórax; em vez de xingamentos ao árbitro, xingamentos à torcida derrotada.

O lance ainda não tinha se acabado completamente. Ainda havia um escanteio a ser cobrado. Mas nosso herói e redentor subiu lá no 10º andar, soberano, agarrou a bola e desceu calma e serenamente com ela colada junto ao seu peito, dando paz a todos os que estavam ali a torcer por ele. Foi só nesse momento que pude enfim relaxar. E ao fazê-lo, reparei que havia uma equipe de reportagem da Globo bem diante de mim. O cinegrafista, um negão que poderia muito bem ser o quarto-zagueiro de qualquer um dos dois times em campo, apontava aquela câmera pra minha cara e ria exaustivamente. De costas pro lance e meio que sem entender nada do que acontecia, o repórter virou-se pra ele e perguntou: "Mas do que é que você tanto ri?", ao que respondeu o negão: "Cara, tu vai ver na edição. É sensacional!".

Eu estava bem próximo ao gramado, então foi fácil entender tudo o que diziam. Eu só não entendia o que poderia haver assim de tão sensacional num gordinho baixola se esgoelando pelo seu time. Mas pensei comigo: "Bom, amanhã vou aparecer no Globo Esporte". E de fato apareci. Apenas não contava que os caras fossem fazer de mim um personagem de destaque na matéria, com direito a fusão de imagem na hora do pênalti defendido e o cacete. Contava menos ainda que a partir daquele momento essa imagem fosse se tornar parte integrante de praticamente todas as matérias relacionadas àquele mesmo goleirão e ao título que terminamos por conquistar ao fim do campeonato. Até na festa de entrega do prêmio aos campeões e no DVD oficial do clube ele apareceu. De um momento pro outro, passei a fazer parte de uma forma um pouco mais direta do que a habitual de um dos maiores momentos da História do meu clube e da minha própria História como torcedor. Não poderia haver maior recompensa, certo? Errado!

Como eu disse na frase que abre esse post, alguns segundos são suficientes pra mudar de vez a vida de uma pessoa. Quis o destino que os mesmos caras que produziram o DVD oficial daquela conquista fossem os escolhidos para criar para a Petrobrás um concurso que escolherá o Torcedor do Brasileirão Petrobrás 2010, o qual dará ao vencedor a oportunidade de viajar Brasil afora, passando pelas cidades e regiões do País onde acontecerão jogos do campeonato, com a missão de mostrar ao público que assistirá aos programas como se comportam e reagem os torcedores dos 20 times participantes. Além disso, caberá a ele também apresentar um pouco da cultura, dos costumes e das curiosidades de cada um dos lugares visitados. Será uma verdadeira viagem ao redor do Brasil feita sob a ótica mais brasileira que pode existir: a do futebol. Será um programa perfeito praqueles que, como eu, são completamente loucos por esse esporte e também pros que não são tão fãs assim, pois esses terão a oportunidade de entender a razão de a bola exercer um fascínio tão absurdamente grande nos corações e mentes de milhões de pessoas aqui e no resto do mundo. Por conta disso, de hoje até o fim dessa jornada louca e deliciosa, o Histórias do Tatu trará uma série de "causos" futebolísticos vividos por mim mesmo nos mais diversos estádios e campos de várzea em qua já estive ao longo desses quase 25 anos de total devoção ao nobre esporte bretão. Não deixem de acompanhar. Vocês certamente irão se divertir à vera com o que lerão aqui.

Ah!, e como não poderia deixar de ser, aproveitem pra conhecer um pouco mais dessa minha face torcedora clicando Aqui. E pra votar, clique bem Aqui.

Então é isso, rapaziada. Conto com a ajuda de vocês pra ganhar essa parada. Não deixem de votar, por favor. Com todo respeito aos outros 3 candidatos, não tem ninguém mais a fim e mais gabaritado pra embarcar nessa do que eu. Podem conferir.

Abs!

4 comentários:

  1. História maravilhosa, pra variar. Só faltou o vídeo! Eu quero, posta aqui!

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  2. Cara tem muito tempo que não te vejo, mas vc continua com a mesma cara de moleque extrovertido de sempre, um abraço e fique com DEUS. ROBSON DE ARAUJO / PARANAGUÁ - PR.
    Há eu postei essa p vota em vc => Quem não bebê não ver o mundo gira e quem não vota no tatu não a bola rola, valeu Fabiano

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  3. Estamos em campanha Tatu!
    Vc merece! Boa sorte!
    Marise e Marcão

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